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Janara e Gabriel

Nossa História

Toda história seja ela real ou fictícia tem sempre duas versões, sendo assim não poderíamos contar nossa história sem que a perspectiva dos dois pudesse ser apresentada a vocês. Dessa forma, aqui está a mesma história contada duas vezes, mas pelas lentes de cada um de nós, Janara Raíza e Gabriel Branco.

 

Nossa história pelas lentes DELA – Janara Raíza

 

Bem, a nossa história é daquelas em que seria impossível, ou na melhor das hipóteses improvável, de acontecer se realmente não houvesse uma interferência divina, se todas as coisas não conspirassem para nossa história e para hoje estarmos juntos e escrevendo a vocês. Tudo começou em dezembro de 2015, havia uma festa de 15 anos para eu ir com minha família e ao chegar lá, ainda na recepção, avistei um rapaz sentado interagindo com algumas pessoas em uma mesa e estranhamente ele me chamou a atenção (estranhamente porque isso nunca havia acontecido dessa forma comigo). Fiquei um pouco curiosa em saber quem era, mas durante a festa trocamos apenas um “oi”. Ele era o melhor amigo de um conhecido meu que estava na festa. Como sempre fui muito reservada e a mesa em que ele se encontrava estava cheia, contentei-me em ficar sentada bem longe, em outra mesa, apenas a observar aquela pessoa que me havia chamado a atenção e cujo motivo eu não fazia ideia. A festa acabou e eu nem sequer falei mais com ele, não peguei telefone, redes sociais – na verdade, nem o nome dele eu sabia – imaginando que seria só uma pessoa interessante que eu nunca mais veria.

Mas tudo bem, eu já estava acostumada com isso, porém esse não era o fim, e sim um breve começo, um deslumbre sobre o futuro. Passaram-se cerca de 8 meses, era agosto de 2016 e haveria um evento com duração de 3 dias na minha casa (por ser uma casa relativamente grande e com quintal para comportar cerca de 50 pessoas), um encontro entre alguns conhecidos nossos com o objetivo de estudar a bíblia, evangelizar pessoas e confraternizarmos. Fomos divididos em grupos para facilitar a comunicação, comunhão e aprendizado de cada um. Fiquei com um casal de amigos, uma amiga minha e um rapaz que eu não conhecia, mas era amigo do casal e passamos esses 3 dias juntos, conversando, falando sobre Deus e sobre a vida. Porém esse rapaz não era cristão (mesmo com toda a sua família sendo), nem mesmo queria estar ali, mas por consideração e chantagem financeira de seu amigo ele foi — sim, ele foi pago para estar ali!

Mas como Deus tem propósitos e move através de meios que nós desconhecemos, foi dessa forma que ao terceiro dia, no final do dia, esse rapaz decidiu aceitar a Cristo na sua vida.

Senti uma alegria e emoção profunda, algo totalmente inexplicável e desproporcional, pois eu havia o conhecido há três dias e quase não conversávamos os dois, pois ele nunca lembrava meu nome. Chegava o momento da despedida e eu me encontrava tristonha, nunca mais veria aquele rapaz novamente, visto que ele morava a 58 km de distância de mim, cerca de 3 horas de viagem e 4 conduções de casa até aqui. No último dia nos aproximamos um pouco e eu havia gostado da companhia dele. No fim, não peguei telefone e nem redes sociais dele — eu e minha lerdeza de sempre. Passaram-se alguns dias e as fotos do evento foram para o Facebook, lá eu vi um comentário dele e decidi adicionar, mas com uma mensagem muito, mas muuuuuito brega, "Eu não sou Jesus, mas me aceita?". Até esse momento meu único interesse era o ter por perto, ser amiga, conhecer, manter o contato, embora eu já estivesse com ciúmes de uma amizade que nem existia. Cerca de duas semanas depois começamos a conversar pelo Whatsapp, e as mesmas eram muito boas, gostávamos de coisas diferentes então estávamos conhecendo o mundo um do outro. A sintonia era tanta que nossas conversas duravam até às 2 horas da manhã quase todos os dias — tempos depois vim descobrir que ele, enquanto no trabalho, não queria nem que os clientes chegassem, só para a gente poder conversar sem que ninguém atrapalhasse. Conversamos durante quase um mês até nosso primeiro encontro.

Eu cursava Agronomia na UFRRJ e não tinha tempo para nada, então ele foi me ver e fizemos um piquenique no Jardim Botânico da Rural, era dia 12 de setembro e nesse dia ele me fez a precisa pergunta:

— Você gosta do número 12?

Respondi: — An... Acho que sim, são 12 discípulos, 12 meses, 12 tribos, 12 constelações... É, acho que gosto do número 12.

— Então, já que você gosta do número 12, quer namorar comigo?

 

Eu, claro, perguntei se era sério, pois era nosso primeiro encontro.

Ali ele me ganhou quando disse que não era uma pessoa que brincava de se relacionar e queria algo sério, não um passa tempo, nem fica “ficando” por aí, então eu disse:

— Sim!

E foi assim, totalmente sem jeito, que eu e, hoje meu Noivo, Gabriel Branco, começamos a namorar.

Tempos depois descobri que aquele rapaz que me interessei na festa no início da história era ele. Eu não lembrava, acho que posso dizer que foi amor à primeira vista, ou quase isso, mas olhando para trás posso ver que aquele momento não era o ideal que Deus havia planejado por uma série de motivos.

Muitas coisas aconteceram até chegarmos aqui, passamos por situações muito complicadas, como foi a minha depressão 10 meses após o início do nosso namoro. Entrei em depressão profunda e não sentia nada pela vida e pelas pessoas, era totalmente indiferente a tudo e todos ao meu redor; cheguei a quase desistir, pois achava que ele não merecia passar por isso e ter alguém assim ao lado. Mas ele me mostrou que não era assim e que estaria comigo em todos os momentos, bons e ruins, que me amava de todas as formas e que passaríamos juntos por isso. Foram em torno de 3 anos de terapia e medicamentos para que hoje eu estivesse bem e feliz novamente. A distância também foi difícil de ser superada, na verdade até hoje é, pois nos vemos somente de 15 em 15 dias por conta do deslocamento e gastos financeiros.

Durante as restrições da pandemia chegamos a ficar 3 meses sem nos ver, pois não havia condução intermunicipal e nem uber, sendo um período muito delicado Bem, eu poderia ficar horas, folhas e mais folhas, escrevendo sobre tudo que passamos até aqui, e demonstrando como foi Deus quem nos uniu, e que é Ele principalmente que nos sustenta em amor, companheirismo e fé, porém aqui está um breve resumo contando nossa história, espero que gostem e que possamos escrever juntos mais esse capítulo, esse nosso novo passo como casal, confiando naquele que cremos e andando não por vista, mas por fé!

Nossa história pelas lentes DELE – Gabriel Branco

A história de muitos relacionamentos começa no ambiente de trabalho, em um curso, numa festa, na internet, mas não a nossa. Por incrível que pareça, a nossa começa dentro de casa.

Nós somos Janara Raíza e Gabriel Branco e nossa história tem início em um retiro cristão que ocorreu na casa dela, lá no ano de 2016. O curioso é que eu, Gabriel, não era cristão e nem estava interessado em ser.

Ela já tinha uma vida inteira na presença do senhor e eu, depois de muito insistir de um amigo meu, Isaque — que há um tempo tentava me evangelizar e era ciente de que eu não estava muito bem —, aceitei o convite e fui.

Vale dizer que para me convencer ele ainda pagou uma diária minha de trabalho que eu teria que faltar. Muitas dinâmicas aconteceram nos dias de retiro e eu, literalmente pela graça de Deus, fiquei no mesmo grupo que ela. Era o único não cristão do grupo e o que era para ser apenas um treinamento de evangelismo foi levado bem a sério por ela.

 

Por ela ter um nome muuuito incomum, não consegui memorizar e por conta disso nos falamos bem pouco fora das atividades. Mas isso não impediu dela sair vitoriosa no dia 7 de agosto daquele ano, onde me converti e um elo foi criado entre nós. O sorriso sincero de alegria dela ao me pegar desprevenido cantando um louvor é inesquecível.

Ainda naquele dia veio a despedida com um misto de sensações, as principais eram a leveza e uma “falta”; afinal, eu moro a 58 km dali e provavelmente não voltaria àquele lugar. A sensação de falta incomodava um pouco, mesmo sem entender direito o porquê. …

 

“Eu não sou Jesus, mas me aceita?”

Essa foi a mensagem que acompanhou uma solicitação de amizade no Facebook. Aceitei, lógico, mas poucas palavras foram trocadas, a conversa mesmo só viria dias depois.

Depois desses dias, outra conversa. Assunto? Vários. Agora eu tinha o nome dela escrito, não tinha como esquecer. Grande parte da conversa ocorreu enquanto eu estava no trabalho. Todos os assuntos fluíram tão bem que, pela primeira vez na vida, torci para não chegar cliente nenhum para não atrapalhar (e acredite, eu realmente precisava muito de cada cliente para conseguir concluir minha graduação em Letras).

Eu pude conhecer a pessoa — maravilhosa — Janara, seus gostos, seus medos, seus desejos e traumas e também me abrir a um nível mais pessoal. A conversa quase ininterrupta que começou às nove da manhã só acabou entre duas e três horas… da madrugada com uma corajosa, e ao mesmo tempo medrosa, ligação de “boa noite”.

Houve uma nova oportunidade de vê-la pessoalmente, teria uma reunião de estudos bíblicos na casa da namorada do meu amigo. Confirmei se ela iria e, quando descobri isso, fui. Cheguei antes (depois descobri que isso seria um padrão na vida) e, em meio à reunião já acontecendo, fiquei aguardando. Ouvi parte do estudo do dia, interagi com irmãos que não conhecia, testei o anel da namorada do meu amigo no meu anelar direito e… a família dela chegou. Cada membro foi entrando, um por um, e ela conseguiu ser a última, parece que só para aumentar a ansiedade. Trocamos um brevíssimo olhar e logo todos se acomodaram para a reunião continuar.

Depois de alguns minutos tivemos um tempo “recreativo” e eu pude me aproximar dela. Mas antes devolvi o anel da menina que só naquele momento fui perceber que estava parecendo uma aliança. Que mancada. E ela perguntou sobre alguns minutos depois.

Nos aproximamos um do outro de forma discreta — que segundo a mãe dela só foi discreta na nossa cabeça — e começamos a interagir. Nesse dia senti ciúmes dela pela primeira vez, isso porque um garoto lá não parava de olhá-la. Fingíamos que não estava acontecendo nada (somos meio lerdinhos para essas coisas mesmo), mas foi quando uma troca de olhar aconteceu…

Durou apenas uns dois segundos, mas para mim foi uma eternidade marcada até hoje. Alguém estava falando comigo na hora do olhar, mas simplesmente não ouvi nada. Ela titubeou em manter os olhos nos meus, mas firmou em seguida. O tempo parou. Eu acho que foi o primeiro “eu te amo”, falado no completo silêncio do olhar. Passaram-se mais alguns minutos e fomos para a rua (tinha várias pessoas lá), mas em dado momento conseguimos ficar sem pessoas dentro de alguns metros quadrados, foi quando eu disse algo como “acho que já está na hora de assumir isso” e a sooonsa devolveu mesmo claramente tendo entendido, mas queria ouvir palavra por palavra “está? O quê?”. A conversa não continuou, estava na hora de ir embora. No nosso primeiro encontro pessoal, sem pessoas à volta, no dia 12 de setembro, fiz o pedido de namoro. Doze tribos, doze apóstolos… Ela aceitou!

Desde então passamos por diversas situações, dentre elas: a família, em especial a mãe, lidar com a filha mais velha estar em um relacionamento, a distância e os poucos encontros pessoais no mês, a situação financeira de universitários — eu ganhava um pouco mais de 200 reais para conseguir manter minha graduação (não disse que cada cliente era importante?) e ela com o dinheiro que ganhava na monitoria que dava na graduação dela de Engenharia Agronômica —, uma depressão profunda diagnosticada que durou muito tempo e roubou muitas noites de sono…

Muitos percalços trilhamos até aqui, lágrimas foram enxugadas e colunas de sustentação erguidas por Deus e por nós. Ficamos noivos no começo desse ano e fomos abençoados com uma casa — na qual estamos batalhando nas reformas necessárias — e em busca do sonho da festa de casamento que representa para mim, além da união com essa minha noiva maravilhosa, um símbolo de superação de tudo até aqui e um porto seguro para os desafios que virão.